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TERRENO COMPACTO: COMO O JARDIM DE INVERNO PODE MELHORAR O CONFORTO DA CASA

Foto do escritor: equipetatielearq
equipetatielearq
4 de set.
5 min de leitura


Jardim de inverno utilizado como estratégia para ampliar iluminação, ventilação e relação dos ambientes internos com o verde.
Jardim de inverno utilizado como estratégia para ampliar iluminação, ventilação e relação dos ambientes internos com o verde.

Recentemente, durante uma conversa com um cliente, surgiu uma situação que é bastante comum em projeto residencial.

O terreno escolhido era confortável, mas, quando começamos a colocar no papel tudo o que a família gostaria de ter na casa, ele passou a parecer bem mais compacto.

A intenção era ter três quartos amplos, closet, uma área de lazer confortável, cozinha integrada à sala e à varanda, além de espaços destinados ao jardim. Ou seja, não era necessariamente um lote pequeno. O desafio estava na quantidade de funções e expectativas que precisavam caber ali sem comprometer o conforto da casa.

E é justamente nesse tipo de situação que algumas estratégias de projeto fazem muita diferença.


Não basta fazer tudo caber

Quando trabalhamos com um terreno mais compacto, existe uma tendência natural de tentar aproveitar o máximo possível da área construída. Mas projeto não é simplesmente encaixar ambientes. Uma casa pode até ter todos os cômodos solicitados e, ainda assim, ficar escura, pouco ventilada, com circulações ruins ou ambientes muito fechados. Por isso, em alguns casos, abrir mão de uma pequena área construída pode trazer muito mais qualidade para o conjunto. Foi nesse contexto que sugeri ao cliente o uso de jardins de inverno.


Neste projeto, os jardins de inverno foram posicionados de forma estratégica para atender ambientes da área íntima e ampliar as possibilidades de iluminação e ventilação natural.
Neste projeto, os jardins de inverno foram posicionados de forma estratégica para atender ambientes da área íntima e ampliar as possibilidades de iluminação e ventilação natural.

O jardim de inverno pode cumprir mais de uma função

Eu gosto de pensar o jardim de inverno não apenas como um espaço bonito dentro da casa. Dependendo de como ele é inserido no projeto, pode ser uma estratégia para levar iluminação e ventilação natural a ambientes que teriam pouca abertura para o exterior. Além disso, ele cria uma pausa visual dentro da construção. Em vez de uma janela olhar apenas para uma parede ou para um corredor estreito, ela pode se abrir para vegetação, luz natural e céu. Isso muda bastante a experiência do ambiente. No projeto que ilustra este texto, por exemplo, os jardins de inverno foram pensados justamente para atender a área íntima da casa e criar esses pontos de respiro.


Além de contribuir para iluminação e ventilação, o jardim cria uma relação mais agradável entre os ambientes internos e a vegetação.
Além de contribuir para iluminação e ventilação, o jardim cria uma relação mais agradável entre os ambientes internos e a vegetação.

E ele não precisa ser só um jardim

Esse é outro aspecto que considero interessante. Dependendo da área disponível e da relação com os outros ambientes, o jardim de inverno pode deixar de ser apenas um espaço contemplativo e passar a ter algum uso.

Já trabalhamos com essa proposta próxima à suíte principal, criando um espaço mais reservado para o casal. Pode ter uma poltrona para leitura, uma rede, um pequeno bistrô, um pergolado ou uma iluminação mais aconchegante. Pode ser um lugar para tomar um café, ler, descansar ou até tomar um vinho no fim do dia. São usos simples, mas que ajudam a criar uma casa mais agradável de viver. E, quando o terreno é compacto, fazer um mesmo espaço cumprir várias funções de maneira inteligente é ainda mais importante.


Dependendo da proposta, o jardim de inverno pode ser mais do que um espaço contemplativo e também receber pequenos usos no dia a dia.
Dependendo da proposta, o jardim de inverno pode ser mais do que um espaço contemplativo e também receber pequenos usos no dia a dia.

Uma dúvida muito válida do cliente

Quando sugeri essa solução, o cliente levantou uma preocupação que achei bastante pertinente. Ele comentou que já havia visto muitas casas com jardim de inverno que, depois de algum tempo, acabavam virando local para guardar objetos, caixas ou coisas sem uso. E isso realmente acontece. Mas expliquei a ele que esse não é necessariamente um problema do jardim de inverno.

A forma como um espaço será utilizado também depende muito da rotina e dos hábitos de cada família. Uma varanda pode virar depósito. Uma garagem pode acumular objetos. Um quarto de hóspedes pode se transformar em um cômodo cheio de coisas que ninguém usa. Com o jardim acontece o mesmo. Por isso, durante o projeto, também é importante entender quem vai morar naquela casa. A família gosta de plantas? Tem disposição para cuidar do jardim? Prefere espécies que exigem menos manutenção? Pretende realmente utilizar aquele espaço? Tudo isso precisa entrar na decisão. Se existe pouca afinidade com paisagismo e manutenção, podemos trabalhar com uma proposta muito mais simples. Agora, se a família gosta desse tipo de ambiente e cuida bem dele, o jardim de inverno pode se manter bonito e funcional por muitos anos. Não existe uma solução que funcione da mesma maneira para todas as famílias.


O verde também traz outra sensação para dentro da casa

Além da iluminação e da ventilação, existe um benefício que considero muito agradável: a proximidade com o verde.

A vegetação próxima aos ambientes internos ajuda a criar uma sensação de acolhimento e bem-estar. É uma forma simples de trazer elementos naturais para dentro da rotina da casa. Não precisa ser nada excessivamente elaborado. Às vezes, uma boa composição de espécies, iluminação adequada e materiais de fácil manutenção já transforma completamente aquele espaço. E essa relação com o verde pode ser percebida de vários ambientes da casa, não apenas de dentro do próprio jardim.


O contato visual com a vegetação pode melhorar a percepção dos ambientes internos e criar uma relação mais acolhedora com o espaço.
O contato visual com a vegetação pode melhorar a percepção dos ambientes internos e criar uma relação mais acolhedora com o espaço.

Existe também uma questão técnica importante

Apesar de ser uma solução interessante, jardim de inverno não é simplesmente deixar um espaço aberto no meio da planta. É preciso avaliar dimensões, posição das aberturas, ventilação, iluminação e também quais ambientes dependem daquele espaço. Outro ponto que sempre precisa ser considerado é a legislação municipal.

Cada município pode estabelecer regras próprias no Código de Obras sobre afastamentos, áreas mínimas, ventilação e iluminação natural. Por isso, uma solução que funciona bem em determinada cidade ou projeto pode precisar ser adaptada em outro. Essa análise faz parte do desenvolvimento do projeto.


A posição e as dimensões do jardim precisam ser avaliadas junto com os ambientes que dependem dele e com as exigências da legislação local.
A posição e as dimensões do jardim precisam ser avaliadas junto com os ambientes que dependem dele e com as exigências da legislação local.

O melhor aproveitamento nem sempre é construir mais

Esse é um ponto que gosto bastante de reforçar. Quando temos um terreno compacto, aproveitar bem o espaço não significa ocupar cada metro quadrado com construção. Às vezes, deixar um pequeno jardim, um recuo ou uma abertura estratégica melhora muito mais a casa do que simplesmente aumentar um cômodo. No fim, o que importa não é apenas quantos metros quadrados foram construídos. Importa como esses metros funcionam no dia a dia.

Um bom projeto precisa conseguir equilibrar tudo isso: o que a família deseja, o tamanho do terreno, o conforto dos ambientes, a iluminação, a ventilação e a forma como aquela casa será vivida. É justamente aí que pequenas decisões de projeto passam a fazer uma grande diferença. E, em terrenos compactos, talvez esse seja um dos maiores desafios e também uma das partes mais interessantes do trabalho:


fazer cada metro quadrado trabalhar a favor da casa e de quem vai morar nela.



Por: Arquiteta Tatiele Pires CAU/BR: A120825-0



 
 
 

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