REVESTIMENTO DE PAREDE PARA COZINHA: O QUE REALMENTE IMPORTA NA ESCOLHA DO ACABAMENTO

Atualizado: há 4 dias
Na hora de escolher os acabamentos de uma cozinha, é comum a atenção ficar concentrada na cor, no formato do revestimento ou naquela referência bonita salva no Pinterest. Mas, em um ambiente de uso intenso como a cozinha, estética é apenas uma parte da decisão.
A parede próxima à bancada, à pia e principalmente ao cooktop está constantemente exposta a respingos de água, gordura, vapor e produtos de limpeza. Por isso, antes de pensar em qual revestimento combina mais com o projeto, é importante entender como esse material vai se comportar no dia a dia.
E nem sempre o acabamento mais bonito da loja é o mais indicado para aquele local.
O revestimento da cozinha precisa ser fácil de limpar
Essa é, para mim, uma das características mais importantes.
Quanto mais porosa, rugosa ou cheia de detalhes for a superfície, maior tende a ser a dificuldade de limpeza.
Isso não significa que todo revestimento com textura ou relevo seja inadequado. Mas, se a ideia for utilizar esse tipo de acabamento na cozinha, eu evitaria peças com relevos que formem quinas, reentrâncias profundas ou pequenos pontos de difícil acesso. São justamente esses detalhes que acabam acumulando gordura e sujeira e que, depois de algum tempo, tornam a limpeza bem mais trabalhosa.
Eu, particularmente, não gosto muito de superfícies excessivamente texturizadas para cozinhas, principalmente nas áreas próximas à pia e ao fogão. Acho que dificultam a manutenção e, para esses locais, prefiro materiais com superfícies mais simples de limpar.
Outro detalhe que vale observar é o acabamento das bordas das peças. Sempre que possível, gosto dos revestimentos retificados, principalmente porque permitem juntas menores entre uma peça e outra. Isso significa menos rejunte aparente e, consequentemente, menos áreas de acúmulo de sujeira.
E esse é um ponto importante porque o rejunte, de modo geral, tende a impregnar e evidenciar sujeira com mais facilidade do que a própria superfície do revestimento. Por isso, quando pensamos em praticidade, não devemos olhar apenas para a peça. A quantidade de juntas também interfere bastante na manutenção da cozinha.

Porosidade faz diferença
Uma superfície muito porosa pode absorver líquidos, gordura e pigmentos ao longo do tempo.
É por isso que eu teria bastante cuidado, principalmente nas áreas próximas ao fogão e à pia, com materiais muito rústicos, pedras naturais muito porosas ou superfícies sem acabamento adequado.
Às vezes encontramos uma pedra natural linda e queremos utilizá-la como destaque na parede da cozinha. Esteticamente, ela pode realmente funcionar muito bem. O problema é que beleza não deve ser o único critério de escolha.
Próximo ao fogão existe contato frequente com gordura. Próximo à pia, temos água, produtos de limpeza e resíduos de alimentos. Uma pedra muito porosa ou excessivamente rústica pode acabar absorvendo essas substâncias e dificultando bastante a manutenção.
Nesses pontos, se a intenção for trabalhar com pedra, eu tenderia a utilizar materiais com características mais compatíveis com esse uso, como alguns granitos, quartzitos e outras pedras adequadamente especificadas, sempre considerando as características técnicas específicas de cada material.
Mesmo entre as pedras naturais existem diferenças importantes de absorção, resistência, acabamento e necessidade de impermeabilização. Por isso, não basta dizer que determinada pedra pode ser usada na cozinha. É preciso entender qual pedra, com qual acabamento e em qual posição da cozinha.
Em projeto, gosto muito de pensar dessa forma: um acabamento precisa continuar fazendo sentido depois que a casa começa a ser usada.

Qual revestimento usar atrás do cooktop?
Essa é uma área que merece atenção especial.
Além da gordura, existe exposição frequente ao calor. Por isso, o acabamento utilizado precisa ser compatível com esse tipo de situação.
Cerâmicas e porcelanatos costumam ser alternativas práticas quando corretamente especificados. Pedras também podem ser utilizadas, desde que suas características sejam adequadas ao local e que sejam consideradas as recomendações de aplicação e manutenção.
Aqui eu evitaria, principalmente, superfícies muito porosas, rústicas ou com relevos difíceis de limpar.
Também vale pensar nas juntas. Um revestimento formado por muitas peças pequenas cria uma quantidade maior de rejuntes. E, como o rejunte tende a acumular e impregnar sujeira com mais facilidade, isso pode significar mais trabalho de manutenção.
Por esse motivo, em muitos projetos prefiro trabalhar com peças maiores ou soluções que reduzam a quantidade de emendas justamente nas áreas mais críticas.
O rejunte também faz parte da escolha
Às vezes escolhemos cuidadosamente o revestimento e esquecemos que o rejunte terá participação importante tanto no resultado visual quanto na manutenção.
Em cozinhas, principalmente nas proximidades da pia e do cooktop, ele acaba recebendo gordura, umidade e sujeira de forma constante. E, diferente de uma superfície lisa de porcelanato ou cerâmica, o rejunte tende a impregnar sujeira com mais facilidade.
Por isso, além de escolher corretamente o tipo de rejunte, gosto de reduzir sua presença sempre que isso for possível. É mais um motivo pelo qual peças retificadas e juntas menores podem ser interessantes.
A cor também interfere. Um rejunte muito claro em uma área diretamente exposta à gordura pode evidenciar sujeira mais rapidamente. Por outro lado, quando existe contraste muito grande entre a cor do rejunte e a peça, cada divisão fica visualmente mais marcada.
Quando quero uma cozinha mais limpa visualmente, normalmente busco aproximar a tonalidade do rejunte da cor predominante do revestimento.

Precisa revestir todas as paredes da cozinha?
Não necessariamente.
Durante muito tempo foi comum revestir a cozinha inteira, do piso ao teto. Hoje temos outras possibilidades.
Dependendo da organização do ambiente, podemos utilizar revestimento principalmente nas áreas que realmente recebem água, gordura e maior desgaste, mantendo outras paredes com pintura adequada e acabamento compatível com a rotina daquele espaço.
Essa solução pode deixar a cozinha visualmente mais leve e também permite direcionar melhor o orçamento.
Em alguns projetos, por exemplo, o revestimento aparece somente entre a bancada e os armários superiores. Em outros, a própria pedra da bancada sobe pela parede formando o frontão. Também podemos destacar uma parede específica e manter as demais mais neutras.
Não existe uma regra única. A decisão precisa considerar uso, estética, orçamento e composição do ambiente.
Revestimento grande ou pequeno: qual escolher?
As duas possibilidades podem funcionar.
Revestimentos pequenos, como peças tipo metrô, pequenos formatos ou modelos artesanais, podem trazer personalidade para o projeto. O ponto de atenção é que peças menores normalmente significam mais juntas.
E mais juntas significam mais rejunte e, consequentemente, mais pontos que precisam ser considerados durante a limpeza. Já as peças maiores normalmente permitem uma superfície mais contínua e com menos interrupções.
Em cozinhas pequenas, gosto particularmente de avaliar com cuidado a paginação. Dependendo da peça escolhida, muitos recortes, linhas ou desenhos diferentes podem deixar o espaço visualmente carregado.
Não é apenas o tamanho da peça que importa. É preciso observar como ela será distribuída naquela parede específica.
Uma boa paginação pode valorizar até mesmo um revestimento simples. Uma paginação mal resolvida consegue fazer exatamente o contrário.

Revestimento bonito não precisa ser o mais caro
Esse é outro ponto importante.
Existem cerâmicas e porcelanatos de diferentes faixas de preço capazes de oferecer um ótimo resultado quando são bem escolhidos e corretamente aplicados.
Antes de aumentar o valor do revestimento, muitas vezes vale mais a pena investir em uma composição coerente entre piso, bancada, marcenaria, metais e iluminação.
Uma cozinha bonita raramente depende de uma única peça sofisticada. O resultado vem do conjunto.
É inclusive uma lógica que utilizo bastante nos projetos: preservar qualidade principalmente nos materiais que são mais difíceis e caros de substituir no futuro.
Revestimentos, bancadas e pisos merecem atenção porque uma troca normalmente envolve quebra, mão de obra e transtorno dentro de um ambiente que já está pronto.
O que observar antes de comprar revestimento para cozinha
• facilidade de limpeza;
• presença de relevos, quinas e pontos de difícil acesso;
• nível de porosidade do material;
• comportamento da superfície em contato com gordura e umidade;
• acabamento retificado e possibilidade de utilizar juntas menores;
• quantidade de rejunte que haverá na parede;
• resistência e características compatíveis com o local de aplicação;
• formato da peça em relação às dimensões reais da parede;
• quantidade e posição dos recortes;
• combinação com bancada, piso e marcenaria;
• recomendações específicas do fabricante para aquele material.
Esses critérios ajudam bastante a separar uma escolha feita apenas pela aparência de uma decisão realmente adequada para o ambiente.
A melhor escolha é a que funciona no conjunto
Quando desenvolvemos uma cozinha, não escolhemos o revestimento isoladamente.
Ele precisa conversar com a bancada, os armários, o piso, a iluminação e até com os eletrodomésticos. Ao mesmo tempo, precisa suportar uma rotina real de preparo de alimentos, água, gordura e limpeza.
Por isso, antes de decidir apenas pela imagem de referência, vale fazer algumas perguntas: esse material é fácil de manter? Tem muitos relevos ou pontos difíceis de limpar? É poroso? Como serão os recortes? Quanto rejunte teremos? Funciona bem próximo ao cooktop e à pia? Combina com a bancada que escolhemos?
É nessa soma entre estética, praticidade e decisões bem pensadas que o projeto começa a fazer diferença.
Uma cozinha bem resolvida não é apenas aquela que fica bonita quando termina a obra. É aquela que continua funcionando bem na rotina de quem vive nela.
Por: Arquiteta Tatiele Pires CAU/BR: A120825-0





Comentários