APROVAÇÃO DE PROJETO EM SÃO LUÍS DE MONTES BELOS: POR QUE PLANEJAR ANTES DE COMEÇAR A OBRA

Na minha rotina profissional em São Luís de Montes Belos, ainda encontro situações em que a construção começa com uma lógica que, num primeiro momento, pode parecer mais simples ou econômica: faz-se uma planta básica, contrata-se a mão de obra e várias decisões vão sendo resolvidas conforme a obra avança.
O problema é que construir dessa forma pode gerar exatamente o contrário da economia esperada.
Antes de iniciar uma obra, existem decisões relacionadas à legislação, ao terreno, à incidência solar, aos ambientes, aos móveis, às instalações e à própria rotina da família que precisam conversar entre si.
E existe ainda uma etapa que não deveria ser deixada para depois: a aprovação do projeto junto à Prefeitura e a emissão do alvará necessário para começar a construção de forma regular.
Em São Luís de Montes Belos, assim como acontece em outros municípios, existem regras específicas para construir. E cada cidade pode possuir parâmetros diferentes.
Por isso, antes de executar, é importante saber não apenas o que você quer construir, mas também o que pode ser construído naquele terreno e como transformar essas duas informações em uma casa que realmente funcione para quem vai morar nela.

Aprovação na Prefeitura não é apenas uma formalidade
Às vezes existe a percepção de que aprovar um projeto é simplesmente preparar uma planta para a Prefeitura carimbar.
Não é bem assim.
A análise municipal existe justamente porque uma construção precisa atender aos parâmetros definidos para aquele município e para aquele local.
Entram nessa análise questões como ocupação do terreno, afastamentos, alturas, áreas permeáveis, dimensões, acessibilidade e condições de iluminação e ventilação, entre outros critérios aplicáveis ao projeto.
Um exemplo simples está nas aberturas dos ambientes.
Em determinadas situações, a legislação estabelece dimensões mínimas de ventilação e iluminação natural relacionadas à área de piso daquele ambiente. Ou seja, não basta simplesmente decidir onde colocar uma janela porque ela ficou bonita na fachada. Existe também um desempenho mínimo que precisa ser considerado.
Não quero transformar este artigo em uma explicação da legislação de São Luís de Montes Belos porque esse não é o objetivo, e essas regras também variam de um município para outro.
O ponto importante é entender que há legislação a ser cumprida antes e durante a construção.
Começar sem aprovação pode transformar uma tentativa de ganhar tempo em atraso
Quando uma obra começa sem que essas questões estejam resolvidas, o problema não é apenas documental.
Existe a possibilidade de fiscalização e de necessidade de adequações durante a construção. Dependendo da situação e da legislação local, isso pode significar notificações, paralisações, multas e outros transtornos.
Mas existe um prejuízo que muitas vezes acontece antes mesmo disso: o retrabalho.
Uma parede executada no lugar errado significa mão de obra para construir, material utilizado, mão de obra para demolir, descarte e depois mais material e trabalho para fazer novamente.
Além do prejuízo financeiro, existe perda de tempo.
E obra atrasada também custa dinheiro.
Por isso, quando alguém pensa que está economizando ao começar rapidamente e “resolver as coisas depois”, é importante considerar quanto pode custar corrigir aquilo que poderia ter sido decidido antes.
Projeto aprovado e bom projeto não são exatamente a mesma coisa
Esse é um ponto que considero muito importante.
Um projeto pode atender aos parâmetros necessários para aprovação e ainda assim não aproveitar todo o potencial daquele terreno e daquela família.
Cumprir a legislação é obrigatório.
Mas um projeto de arquitetura precisa ir além disso.
Antes de começar a desenhar uma casa, eu procuro entender quem vai morar ali.
Quantas pessoas são? Existem filhos? Quantos? A família recebe visitas com frequência? Tem animais de estimação? Quantos carros precisam ser acomodados?
Quer piscina? Prefere um quintal maior? Gosta de vegetação? Precisa de escritório? Quer uma área gourmet? Existe intenção de ampliar a casa no futuro?
Também procuro entender se existe algum ambiente que aquela pessoa sempre sonhou em ter, qual estilo de casa ela gosta e qual investimento está disponível para aquela construção.
São informações que não aparecem em um índice urbanístico, mas que fazem toda diferença quando aquela planta se transforma em casa.
Por isso, para mim, o melhor projeto é aquele capaz de conciliar o que a legislação permite, o que o terreno oferece e o que aquela família realmente precisa.
Um projeto também precisa aproveitar o terreno
Esse planejamento pode começar inclusive antes da compra do lote.
Quando possível, analisar o terreno antes da aquisição permite observar características que depois terão impacto direto no projeto: dimensões, posição solar, topografia, acessos, possibilidades construtivas e limitações existentes.
Às vezes dois terrenos com áreas semelhantes oferecem possibilidades completamente diferentes.
A posição da casa dentro do lote interfere na entrada de sol, na ventilação, nos espaços externos, na garagem e na relação entre os ambientes.
Quando essa análise acontece antes, temos mais liberdade para tomar decisões.
Depois que a construção começa, cada nova decisão passa a depender do que já foi executado.

Quando a necessidade aparece depois que a parede já está pronta
Já acompanhei uma situação que representa muito bem isso.
A obra já estava em andamento e se aproximava da etapa de reboco quando surgiu uma necessidade importante para o cliente: ele queria um closet.
O problema era que o projeto que estava sendo executado não havia previsto esse ambiente.
Foi necessário adaptar.
Um dos quartos foi transformado em closet e uma nova porta precisou ser criada para permitir o acesso.
Conseguimos solucionar a necessidade, mas a solução naturalmente ficou limitada pelo que já estava construído.
Se aquele closet tivesse sido pensado desde o início junto com a suíte, seria possível trabalhar melhor a relação entre quarto, closet e banheiro. Como o banheiro estava localizado do outro lado da suíte, já não havia liberdade suficiente para reorganizar completamente essa sequência sem provocar alterações muito maiores.
Também foi necessário rever a infraestrutura do ar-condicionado.
Ela havia sido pensada considerando aquele ambiente como um quarto. Quando ele passou a receber armários de closet, a posição prevista deixou de fazer sentido e precisou ser reavaliada.
Nenhuma dessas decisões é extremamente complexa quando estamos diante de uma planta e ainda podemos movimentar paredes, portas e instalações com um clique.
Na obra, a história é diferente.
O que no papel seria uma alteração simples passa a envolver alvenaria, instalações, materiais, mão de obra e tudo aquilo que já foi executado ao redor.
É por isso que eu insisto tanto no planejamento.

Algumas decisões ficam muito mais caras quando são tomadas durante a obra
Além da distribuição dos ambientes, existe uma série de definições que considero importante antecipar.
Instalações elétricas, hidráulicas e de ar-condicionado, posição dos móveis, tipo de cobertura, soluções construtivas, materiais, fachada e até a possibilidade de executar a construção em etapas deveriam fazer parte de um raciocínio anterior ao início da obra.
Não significa escolher até o último objeto antes de colocar o primeiro tijolo.
Significa saber onde se quer chegar.
Já vi casas com ambientes desproporcionais ao uso dos moradores, circulação prejudicada, garagem insuficiente, pouca iluminação ou ventilação natural, incidência solar mal resolvida, terrenos pouco aproveitados e espaços em que o móvel desejado simplesmente não cabe.
Também é comum ver instalações sendo decididas conforme a obra anda e a fachada surgindo quase como consequência do que foi construído internamente.
Muitas dessas situações poderiam ser percebidas ainda no projeto.
E alterar uma linha em uma planta é muito diferente de alterar uma parede pronta.
Reforma também precisa de planejamento
Esse raciocínio não vale apenas para quem está construindo uma casa nova.
Uma reforma também começa a gerar desperdício quando as decisões são tomadas somente depois que a demolição ou execução já começou.
Dependendo do tipo de intervenção, também pode existir necessidade de aprovação ou licenciamento municipal.
Em São Luís de Montes Belos, inclusive, a Prefeitura possui procedimentos próprios para reforma e ampliação.
Por isso, antes de iniciar uma intervenção, é importante entender o que será modificado, quais instalações serão afetadas, o que pode ser aproveitado e quais exigências precisam ser atendidas.
Planejar uma reforma também é decidir antes de quebrar.
A Prefeitura não deveria ser o motivo para fazer um bom projeto
Talvez essa seja a principal reflexão deste artigo.
O projeto não deve existir apenas porque é necessário apresentar documentos para conseguir um alvará.
A aprovação é uma etapa importante e obrigatória dentro do processo.
Mas o maior benefício do projeto acontece antes e depois dela.
É no projeto que conseguimos testar soluções, aproveitar melhor o terreno, observar incidência solar, dimensionar ambientes, pensar nos móveis, prever instalações, organizar etapas e avaliar escolhas antes de transformar essas decisões em concreto, alvenaria e dinheiro investido.
A legislação estabelece limites importantes.
A arquitetura trabalha dentro desses limites para encontrar a melhor solução possível para aquela família.
Conclusão
Se você está pensando em construir, o momento ideal para procurar um arquiteto não é quando a obra já começou.
Pode ser antes mesmo da compra do terreno ou assim que o lote estiver definido. O importante é que isso aconteça antes de orçamento de execução, contratação das diferentes mãos de obra e início da construção.
Em São Luís de Montes Belos, assim como em qualquer outro município, existem regras que precisam ser observadas para que a construção possa ser aprovada e executada regularmente.
Mas considero igualmente importante que, além de aprovada, a casa faça sentido para quem vai morar nela.
Planejar antes permite conciliar legislação, terreno, orçamento e necessidades da família enquanto as mudanças ainda acontecem no projeto.
Depois que a obra começa, quase toda mudança passa a ter um custo.
E uma das principais funções de um bom projeto é justamente ajudar a tomar essas decisões no momento em que elas ainda são mais simples de resolver.
Por: Arquiteta Tatiele Pires CAU/BR: A120825-0





Comentários